Pesquisas científicas apontam cada vez mais para a necessidade de tratamento precoce de crianças com transtorno do espectro autista. Essa precocidade no tratamento acarreta uma melhora significativa no prognóstico aumentando consideravelmente o potencial de desenvolvimento social e da comunicação da criança, melhora o potencial intelectual e consequentemente também melhora a qualidade de vida e da autonomia da criança. Até  mesmo para as famílias, esse diagnóstico precoce reduz gastos financeiros e também diminui o desgaste emocional.

Estudos apontam que a média de idade aqui no Brasil para se iniciar um tratamento com estimulações  adequadas é  de seis anos de idade. Deveria ser bem antes, em torno de um ano e meio. Vários são os fatores que levam a esse atraso na intervenção. Entre eles, está a situação financeira e a falta de apoio do Governo para essas avaliações e tratamentos precoces. Dificuldade de famílias e escolas em observar características que o bebê já apresenta desde os primeiros meses de vida. A ideia equivocada que ainda persiste na família e também na escola de que, cada criança tem o seu tempo. Realmente, temos que respeitar uma flexibilidade que existe no desenvolvimento humano mas temos também que impor um limite de tempo para essa flexibilidade. Existe uma média esperada para o desenvolvimento da criança em cada idade e em cada área. Se ela já está fora dessa média, algo está errado e precisa ser investigado. Se a escola percebe atrasos em alunos, não lhe cabe fazer nenhum diagnóstico mas lhe cabe sim, estimular a criança e também estimular a família a buscar avaliações específicas  de profissionais que possam diagnosticar o TEA. Essa estimulação é importante independente do diagnóstico porque não faz mal  nenhum à criança e ajuda mesmo antes de ter um diagnóstico fechado. O diagnóstico deve ser dado por profissionais da saúde, geralmente por um neuropediatra.

Um agente dificultador para um diagnóstico precoce  é que muitos sintomas em casos leves como na Síndrome de Asperger demoram para serem notados pelas famílias e até mesmo pelas escolas. Alguns desses sintomas são: relação social comprometida, comunicação com outros muito pequena ou ausente, interesse por atividades repetitivas e restritas. Pesquisas indicam que, sintomas de TEA aparecem por volta de doze meses mas alguns sinais podem ser detectados mesmo antes dessa idade tais como: poucas expressões faciais aos seis meses, baixo contato ocular, pouco ou quase uma ausência de sorrisos , a partir dos nove meses não balbucia, não olha quando chamado , não tenta imitar as pessoas, não dá tchau com 12 meses e dificuldade grande de prestar atenção, não gosta de sons altos, fixação em apenas um tipo de brinquedo. E outro sintoma sério é quando em qualquer idade a criança perde uma habilidade que já tinha, já falava e para de falar por exemplo.

É importante que pais estejam atentos ao desenvolvimento de seus filhos e procurem ler e estudar sobre como isso ocorre e também que  as escolas tenham um olhar avaliativo sobre comportamentos e desempenhos de seus alunos. Importante também que pediatras estejam atentos e orientem os pais de seus clientes quando perceberem algo inadequado em seu desenvolvimento. TEA não tem cura mas tem tratamento e quanto mais precoce for maior a possibilidade de melhorar a qualidade de vida dessas crianças.

Varuna Viotti Victoria- pedagoga-orientadora educacional – especializada em psicologia do desenvolvimento humano e cursando pós em neuropsicopedagogia clínica e institucional-

E-mail: viottivictoria@yahoo.com.br

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