O mundo está doente e podemos perceber isso através de guerras, violência, banalização da vida e também de comportamentos humanos cada vez mais estranhos e doentios.
O mais recente desses comportamentos é a febre de bebês reborns que vem crescendo cada vez mais em nosso país e em outros também. Sempre adorei bonecas e brinquei muito com elas em minha infância, com minhas filhas e com minha neta quando eram crianças. Brincar de boneca tem uma magia imensa porque nos traz um sabor de infância muito forte e ao mesmo tempo nos remete à vida adulta porque nos traz a função de cuidar de alguém.
O que está acontecendo hoje, não é bem isso e sim um comportamento doentio de mulheres adultas que substituem algo que falta em suas vidas transformando bonecas em seres humanos reais e tratando essas bonecas como se fossem crianças e filhos de verdade. Levando ao médico para tomar vacina, saindo com a boneca para passear em parques, falando sobre ela como se fosse uma filha de verdade.
Esses bebês reborns existem faz tempo e realmente estão sendo aperfeiçoados como se fossem reais. Com movimentos, sons e uma aparência de um bebê real.
O que leva tantas mulheres comprarem essas bonecas caras, simular um parto e depois tratar como se fossem filhos de verdade.? É isso que está acontecendo e chamando a atenção de psicólogos e psiquiatras. Existem hoje casais que se separam e querem entrar na justiça pela guarda compartilhada de um bebê reborn. Mulheres que pedem pensão alimentícia para essas bonecas. Fazem festa de aniversário e agora tem pais querendo matricular esses bebês em escolas.
Isso nos remete a um mundo doente em que a solidão grita muito alto e é preciso colocar algo nesse buraco que o próprio homem criou na solidão do uso excessivo de tecnologias e telas, com relações cada vez mais desumanizadas, com casais que vivem uma relação também solitária a dois e muitas vezes esses bebês servem para ressarcir mulheres inférteis, que não puderam ter filhos ou que perderam seus filhos de alguma forma. Podemos analisar também como uma forma mais fácil e menos trabalhosa de fingir que se tem um filho. Esse bebê não chora a noite, não faz birra, não fica doente de verdade, enfim, não dá o trabalho que um filho real dá.
De qualquer forma, isso mostra o quanto o mundo está doente e os valores totalmente modificados. É preciso que especialistas se voltem para mais esse comportamento doentio que vem crescendo assustadoramente.
Ter uma boneca linda para enfeitar a cama ou até para brincar de vez em quando é aceitável em uma mulher adulta. Mas, transformar essa boneca em um filho como se fosse humano é doentio e precisa ser tratado esse comportamento com urgência!
Varuna Viotti Victoria- pedagoga- orientadora educacional e especializada em psicologia do desenvolvimento humano

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